Foi Engano |
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As ironias da vida...
Ou: a fase rosa do antigo Blogue Foi Engano.
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Quarta-feira, Maio 02, 2007
Teias de aranha Eu queria falar dessas coisas que distraem a gente. Como as notícias de bomba. As tragédias. Os tiros que me deixam saber pouco sobre a morte. Os acidentes. Os pais de meninas violentadas por bandidos. Meninas, vírgula, eu sou uma delas, vírgula, e estou entre vírgulas porque sempre há que se separar meninas das partes tristes da oração. Não faltarão tipos de bandidos, sujeitos e passivos corruptos. Empregadas domésticas não seriam notícias? Não, exceto quando lavam dinheiro. Caiu um avião. O dólar subiu. A inflação está controlada. A epidemia também. A soja é transgênica. E a fome, também: geneticamente modificada por nós que aqui estamos, recebendo e apagando dados diariamente, pra passar na prova, tal qual nos ensinaram quando éramos crianças ainda. Temos sorte, mas não como aquele que ganhou na loteria hoje. O filhote do panda nasceu. O time que marcou um gol aos quarenta e cinco do segundo tempo venceu o campeonato. O disco mais vendido é de um cantor desconhecido. A próxima novela terá um vilão que não sou eu, nem você, nem meu chefe. Ninguém falou, todo mundo sabe: ele vai morrer no final. O mocinho, também. Pronto. Falei. Agora, por favor: me deixem viver. Deixe seu recado: Segunda-feira, Janeiro 15, 2007
Cratera O que será uma vida sem sal? Era. Iara estava quase terminando, vestiu a sandália de dedo, passou o batom, apressada, e pronto, está na porta. De casa. Chão era barro, nada de ônibus, carro, nada. Que leve a Iara, para o boteco onde Iara cravava as horas do dia. Severa. Na parede grudada. A suportar um quadro de clientes bêbados, em suas alegrias-tristes-requentadas. Sorria. Para o relógio. Flertava com ele, venha, depressa, me traga o sal dos próximos minutos. Espera. Epaminondas não resgatou Iara. Nem por ventura deixou recado Nem das horas que se arrastavam sabiam dele. Seria ele O sal de Iara, não fosse: engolido por uma cratera. Deixe seu recado: Segunda-feira, Janeiro 08, 2007
Dialética O Foi engano começou em 2003 como um blogue de crônicas leves, com temas cotidianos. Daí eu me mudei pra Brasília e o contato com outra cidade, outra cultura e com os bastidores do poder começaram a me deixar bastante indignada. A acidez transbordava em textos... Textos horríveis, é bom dizer!!! E eu me afastei das leves crônicas, e daquilo que realmente é a alquimia do escritor: o transformar as coisas pelo olhar que se empresta à elas. Me sobraram coisas, sofrimentos, angústias - me faltou o trabalhar o olhar. A terapia do olhar. Da arte. Daquilo que a arte tem de sublime: o caráter universal, que dissolve barreiras sociais, econômicas, culturais, e às vezes até educacionais. Quero voltar às crônicas. Mas volto diferente: trago na bagagem uns restos de indignação. Mas só aqueles necessários. Essenciais para uma boa crônica - nada de excessos, choros, declarações objetivas demais, ou mera descrição do que se sente aparentemente.Não. A fase rosa é a beleza terna e delicada de todas as coisas. Ou, pelo menos, a busca dessa tal beleza. Não. Não será fácil. Espero não decepcioná-los. Abraços pra todos os enganados! Amanda Deixe seu recado: Sábado, Dezembro 02, 2006
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